📖 As experiências de um homem chamado Elias

Um homem como nós

A humanidade de Elias: medo, depressão e alegria

Lendo o texto de Tiago, embora pequeno, surge uma grande dúvida: no que Elias era semelhante a nós? Talvez se olhe para o pecado de Davi, para a inconstância de Pedro ou para a embriaguez de Noé. Mas olhar para um homem que desafiou reis e profetas, que foi usado com poder e grande glória, transladado sem ver a morte. Complicado, não?! Mas a Bíblia declara que ele era igual a qualquer ser humano.

Verdade central: Elias era um homem exatamente como nós.
Texto para reflexão: Tiago 5:17
Texto áureo: Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e por três anos e seis meses não choveu sobre a terra. (Tiago 5:17)

Leituras para edificação:
Segunda-feiraIsaías 6:1-8
Terça-feiraAtos 14:1-28
Quarta-feiraSalmos 42:1-11
Quinta-feira1Reis 19:1-7
Sexta-feira1Reis 19:8-15
SábadoSalmos 70:1-5

Introdução

Lendo o texto de Tiago, embora pequeno, surge uma grande dúvida: no que Elias era semelhante a nós? Talvez se olhe para o pecado de Davi, para a inconstância de Pedro ou para a embriaguez de Noé. Mas olhar para um homem que desafiou reis e profetas, que foi usado com poder e grande glória, transladado sem ver a morte. Complicado, não?! Mas a Bíblia declara que ele era igual a qualquer ser humano.

Quais seriam os aspectos que faziam de Elias um homem semelhante a qualquer outro? Não dá para enumerar, mas pode-se resumir no seguinte: ele tinha as mesmas paixões. O que seria isto? Será que Elias ficava olhando todas as mulheres que passavam e tinha que ficar se controlando? Talvez, se ele nascesse no mundo atual, isto poderia ocorrer com ele. Mas o que notamos é que Elias tinha outros tipos de paixões que geravam nele profundas angústias e comportamentos bem naturais para qualquer um.

Elias sentiu medo

Diante de uma situação atípica, vê-se um homem que venceu profetas de um modo sobrenatural, porém temeu quando Jezabel o ameaçou. É possível então questionar: como um homem enfrenta 850 profetas e treme diante da ameaça de uma única pessoa? Muitos tentam dizer que Elias não sentiu medo, talvez para tentar colocar nele um sentimento menos humano do que tinha. A verdade é que Tiago é bem claro ao afirmar que Elias tinha as mesmas paixões humanas, e o medo foi demonstrado claramente diante da ameaça de Jezabel (1Re 19:1-3).

O medo é algo natural e deve ser vencido pelo depositar de uma vida no altar do Senhor. A igreja primitiva morria pelo que cria; com certeza muitos que morreram sentiam medo. Mas todos sabiam que Deus era suficiente para eles.

Não precisamos ficar entristecidos quando temos medo de testemunhar ou de viver a fé cristã. O que temos de fazer é buscar a força que vem do Senhor. O pecado não está em sentir medo, porém sucumbir no sentimento sem buscar o auxílio do Senhor. Elias buscou o Senhor; claro que antes disto ele demonstrou outro sentimento como qualquer um de nós.

Elias ficou deprimido

Após ser ameaçado por Jezabel, Elias entrou no deserto e caiu em profunda depressão (1Re 19:4-7). Elias pediu para o Senhor tirar-lhe a vida; isto demonstra depressão e ansiedade tremenda. Ele demonstrou algumas características de uma pessoa deprimida:

  • Queria ficar isolado — este é um dos primeiros sentimentos que uma pessoa tem quando entra em depressão: procura sempre ficar sozinha.
  • Demonstrou certo cansaço — Elias parecia que só queria dormir. Quando uma pessoa está deprimida, fica sentindo cansaço por tudo que faz.
  • Ficou desanimado — esta é a grande característica que um deprimido demonstra. Elias estava profundamente desanimado.
  • Queria morrer — este é o pior sentimento que uma pessoa deprimida pode sentir. Elias ficou muito mal da depressão.

Apesar de tudo que observamos acima, vemos que Elias se derramava em sinceridade diante de Deus. Ele se escondia das pessoas, mas não procurava se esconder de Deus. Queria morrer, sim, mas não buscou fazer por suas próprias mãos. Foi franco diante do Senhor.

Quando Jesus estava diante de sua morte, momentos antes de ser preso, ele também entrou em crise depressiva, e foi sincero diante do Senhor (Mt 26:38-39). Sua alma estava como a de Elias: triste até a morte. Ele também pediu para que Deus tirasse dele aquela dor profunda. O suor de sangue demonstra toda angústia deprimida que Jesus estava sofrendo naquele momento.

Elias tinha senso de humor

Falando de homens semelhantes a nós, geralmente lembramos fraquezas ou tristezas. Mas Elias nos mostra suas semelhanças conosco em todo seu jeito de ser. No capítulo 18, a partir do versículo 27, vemos Elias zombando dos profetas de Baal por não conseguirem que seu deus operasse.

Não vamos entrar aqui no mérito da questão se foi certo ou não o que Elias fez. Mas queremos apenas usar este momento descontraído deste homem de Deus para lembrar a alguns que a vida cristã deve ser vivida com alegria. Não podemos ter um cargo, ou ministério, na igreja achando que ser carrancudo é sinal de espiritualidade, ou mesmo de seriedade.

Elias mostrou-se muito descontraído e alegre, mesmo numa situação extremamente delicada como a que vivia no momento. Não quero dizer com isto que vamos sair por aí zombando da religião, seita ou denominação dos outros. Devemos nos lembrar de que o contexto de Elias era outro, e também lembrar que ele fazia isto conforme a vontade de Deus (mas isto é para outra lição).

Tira-se como lição deste momento de Elias a de sua descontração natural. Quantos evangélicos vivem artificialmente, querendo mostrar uma seriedade mediante uma capa, sendo que a alegria deveria e deve fazer parte da vida do servo de Deus (Fp 4:4).

Muitos adultos não entendem a alegria e a descontração jovem. Paulo dá um conselho a Timóteo que todos os jovens e adultos deveriam observar: “Ninguém despreze a tua mocidade, mas seja um exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (1Tm 4:12). É óbvio que muitos jovens são levados a desprezar a sua juventude por pais e obreiros que acham que ser espiritual é ter um comportamento pacato e sem aventura. Claro que o oposto também ocorre, com jovens que acreditam que podem fazer tudo só porque são jovens. O conselho de Paulo é para que ninguém desprezasse a mocidade de Timóteo, mas, ao mesmo tempo, o apóstolo mostra os deveres que ele, como jovem, tinha.

Elias era alguém que sabia de sua responsabilidade, mas isto não lhe tira a alegria de ser e de viver.

Aplicação

Esta lição mostra um homem como qualquer outro. Que aprendamos com ele, e com suas experiências, coisas maravilhosas. Em nossa vida precisamos nos lembrar de que somos seres humanos, não super-homens ou mulheres-maravilhas.

Como crentes, devemos ter consciência de nossa humanidade. E isto implica algumas coisas, tais como:

  • Fraquezas — não podemos negligenciar que todos têm momentos de fraquezas, tanto psicológicas como espirituais, mas, assim como Elias, precisamos nos colocar nas mãos de Deus.
  • Limitações — muitos homens de Deus têm perecido de doenças facilmente tratáveis porque acham que podem tudo. Outros entram em profundo estado de depressão porque não conseguem realizar algo. Somos limitados em muitos sentidos e precisamos procurar a força que vem de Deus.
  • Sentimentos — alguns vivem naquele tempo em que o crente deve ser inabalável. Vemos homens como Abraão chorando pela morte de Sara. Davi chorava pelo seu filho morto. Vemos Jesus pranteando sobre Jerusalém e comovendo-se com a morte do amigo Lázaro. Nossos sentimentos existem e não precisam ser reprimidos apenas por sermos crentes.

Hoje posso ver em Elias um homem como eu. E esta lição será sempre citada em todas as outras que estudaremos, para que você se lembre de que Deus pode usá-lo como está e como é.

Talvez tenhamos muita dificuldade de nos compararmos espiritualmente com Elias. Mas com certeza o que vimos nesta lição pode nos mostrar perfeitamente que somos semelhantes a ele, pelo menos humanamente falando.