📖 As experiências de um homem chamado Elias

Perturbando em nome de Deus

A coragem de confrontar o pecado

Estudaremos nesta semana a passagem mais conhecida e pregada de Elias. Talvez possamos pensar que não tenhamos mais nada o que aprender, mas o Espírito Santo de Deus sempre tem algo novo para nossos corações. Será uma lição baseada em parte do livro já citado de William J. Petersen — Elias, um homem nas mãos de Deus.

Verdade central: Hoje lutamos contra grandes forças, e o exemplo da coragem de Elias deve estar em nossos corações.
Texto para reflexão: 1Reis 18:17-18
Texto áureo: Vendo Acabe a Elias, disse-lhe: és tu o perturbador de Israel? (1Reis 18:17)

Leituras para edificação:
Segunda-feiraAt 17:1-7
Terça-feira2Sm 12:1-12
Quarta-feiraJr 34:1-7
Quinta-feira1Sm 13:8-14
Sexta-feiraMt 3:1-10
Sábado1Re 18:17-19

Introdução

Estudaremos nesta semana a passagem mais conhecida e pregada de Elias. Talvez possamos pensar que não tenhamos mais nada o que aprender, mas o Espírito Santo de Deus sempre tem algo novo para nossos corações. Será uma lição baseada em parte do livro já citado de William J. Petersen — Elias, um homem nas mãos de Deus.

Durante o encontro com Obadias (conforme lição anterior), Elias começa a mostrar para que estava voltando. O servo de Acabe ficou um pouco apreensivo com o modo que Elias lhe falou para se apresentar ao rei. Obadias temia pela sua vida, sem falar que passava em seu coração a proteção que estava exercendo sobre os cem profetas do Senhor. Mas encontramos na resposta de Elias nosso primeiro grande aprendizado.

Em nome do Senhor dos Exércitos

Quando Elias apresentou-se diante de Acabe pela primeira vez, disse: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel...” (17:1). Quando nosso herói fala a Obadias, afirma: “Tão certo como vive o Senhor dos Exércitos...” (18:15).

O nome Yahweh Tsebaot (Senhor dos Exércitos) foi frequentemente usado por Isaías e Jeremias. Todavia, era raro nos primeiros livros da Bíblia. Está se referindo principalmente ao exército celestial, sempre pronto a batalhar pelo Deus vivo.

Segundo Petersen, este termo lembra duas coisas principais. A primeira, que temos recursos ilimitados ao nosso dispor — Deus está sempre pronto a nos ajudar. A segunda, que Deus é um Deus santo e “até os anjos mostram-se reverentes e temerosos na sua presença”.

Ao deparar-se com um Obadias temente a Deus, Elias procura confortá-lo mostrando que o Senhor está com ele. Mais tarde, de certa forma, foi o que o discípulo de Elias, Eliseu, fez com seu pajem (2Re 6:15-17).

Não precisamos temer viver uma vida santa e purificada só porque podemos perder o emprego, ou até mesmo nossas vidas. Quem está conosco é o Senhor dos Exércitos. Ele é santo e exige santidade de nós. E esta é a nossa primeira arma contra o inimigo: nossa santidade baseada no poder de Deus.

Creio que todos que foram chamados pelo nosso Deus para viver no mundo como Obadias vivia devem sempre estar lembrando que o Senhor é um Deus santo e de recursos inesgotáveis; afinal, ele é o Senhor dos Exércitos.

Como tem sido sua confiança em Deus nos momentos de crise? Tem mostrado confiança no Yahweh Tsebaot?

Motivos para ser perturbador

Ao se encontrar com Elias, Acabe não lhe trouxe honras, nem tampouco procurou cumprimentá-lo como amigo. Logo de início começou acusando-o mais uma vez: “É você, perturbador de Israel?”

A pergunta que podemos fazer é: em que Elias estava perturbando Israel? Eis um ponto bem interessante que deveria nos servir de exemplo para que pudéssemos manter uma vida diferente. Nosso profeta estava perturbando Israel simplesmente por ser fiel ao Senhor.

Será que temos perturbado a vida daqueles que vivem mentindo ao nosso redor? Quando alguém nos pede para mentir, seja por causa do serviço, seja pelo dia a dia, o fazemos naturalmente? Se o fazemos, como dizer que estamos perturbando em nome do Senhor dos Exércitos?

A fidelidade de Elias fazia com que ele fosse visto como perturbador. Assim como no passado homens como John Wycliffe e Jan Huss, entre outros, que “atrapalhavam” a vida da Igreja Católica, pois buscavam uma vida de santidade e constante busca à Palavra de Deus. Será que nossa fidelidade tem feito com que sejamos vistos como perturbadores?

Em Atos 17 encontra-se uma passagem bem interessante. Ela narra a chegada de Paulo à Tessalônica. O apóstolo procura uma sinagoga e começa a expor as Escrituras para aqueles que ali estavam. Neste ínterim, muitos creram no que estava sendo pregado. Os judeus desobedientes não gostaram muito disto, juntaram-se com alguns vadios e assaltaram a casa de um cristão chamado Jasom. Apanharam este servo e mais alguns que estavam em sua casa e os trouxeram diante dos magistrados, e aí afirmaram: “Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também até aqui.” Observamos aqui que o que caracterizava a Igreja era sua coragem de pregar e testemunhar.

Os cristãos primitivos eram considerados perturbadores porque se preocupavam em pregar a palavra de Deus o tempo inteiro. Será que hoje temos alvoroçado o mundo por causa de nossa coragem?

Acredito que a igreja hodierna precisa aprender com Elias e com os cristãos primitivos a ser mais perturbadora. Não podemos ficar de braços cruzados olhando as coisas passarem à nossa frente sem nada fazermos. Elias se indignou com o que via e prostrou-se diante de Deus para cumprir aquilo que o Senhor designara. Será que não é isto que está faltando hoje?

A grande coragem de Elias culmina em ele não pensar duas vezes antes de falar para Acabe que o próprio rei era responsável pelas desgraças sobre Israel por causa de seu pecado. Elias não ficou preocupado com o status de Acabe, nem tampouco com a autoridade e o poder que este tinha. Ele falou contra o pecado.

Muitas vezes ficamos com medo de pregar a palavra para não ferir as pessoas. Hoje, cada vez mais, observa-se que os pregadores de TV têm deixado de atacar o maior inimigo do homem: o pecado. Fala-se de curas, de libertação física, psicológica ou social (estas coisas Deus pode fazer), mas pouco se afirma que a maior libertação de que o ser humano necessita é a dos seus pecados. Um juiz diz a um determinado ator que se achava acima da lei: “Não ligo para quem você é, existe uma vida a ser salva.” A conotação desta frase mostra alguém preocupado com a recuperação de uma vida consumida pelas drogas. Será que os crentes têm mostrado esta mesma preocupação com vidas consumidas pelo pecado?

Quem dera que os crentes pensassem como aquele juiz com relação ao pecado! Talvez não tivéssemos tanto espaço em televisão ou em qualquer outro lugar na mídia, mas com toda certeza teríamos mais pontos diante de Deus e mais vidas verdadeiramente salvas, e não supostamente crentes.

Acusando, mas sendo culpado

Acabe, ao saber que Elias queria vê-lo, partiu logo ao seu encontro. Também não era para menos; as palavras de Elias deviam estar ecoando ainda na cabeça do rei de Israel: “Tão certo como vive o Senhor... nem orvalho nem chuva haverá nestes anos senão segundo a minha palavra.” Acredito que Acabe tinha Elias mais como mágico ou bruxo do que como alguém que falava em nome de Deus. Ele estava ansioso para ver seu reino voltar à normalidade. Ao contrário de Obadias, que respeitou a autoridade espiritual que era Elias, Acabe olhava para o profeta como quem olha para um arruaceiro qualquer.

Elias começa mostrando que não foi ao encontro do rei somente para fazer chover, mas queria que houvesse um despertar no coração de Acabe e que este levasse a Israel. E ele principia defendendo-se das acusações, dizendo que o grande perturbador era o próprio rei, com sua idolatria e sua infidelidade para com Deus.

Muitas vezes na igreja encontram-se pessoas que se comportam como Acabe. Buscam encontrar culpados pela igreja estar fria e seca, mas esquecem-se de olhar para si mesmos e observar que estão contribuindo para que tudo isto aconteça. E o que é pior, acreditam que os culpados são aqueles irmãos que estão trazendo a mensagem de Deus, que, com toda certeza, ferem os interesses destes Acabes. Quantas vezes não nos comportamos como Acabe? Será que isto não pode ocorrer com você também, ou comigo?

A igreja parece estar repleta de Acabes. Pessoas que procuram trazer o mundanismo e que acusam aqueles que vivem dentro da palavra de Deus. Homens e mulheres que tentam secularizar nosso ambiente santo e culpam os que pregam a Palavra de Deus.

Aplicação

Após observarmos Acabe, chegamos à conclusão de que ele estava muito distante de ser considerado um servo de Deus. Porém, ele fazia parte da nação de Israel — o povo eleito de Deus. Claro que não podemos dizer que Acabe herdou o reino dos céus. Todavia, fica aqui a lição para cada um de nós: será que temos tido muitos Acabes em nosso meio?

Elias aqui nos dá exemplo de fidelidade, coragem e desejo de santificação. Estes deveriam ser nossos desejos para nós, para a igreja, o bairro, o estado e o país. O tesbita poderia muito bem “ficar na dele”, mas preferiu dar ouvidos à voz de Deus para tentar purificar toda sua nação.

Talvez você não tenha o mesmo poder que Elias, mas lembre-se de que ele foi um ser humano como você. Nossas igrejas não precisam de super-homens para enfrentar os Acabes que nos cercam. Elas precisam de homens e mulheres submissos à vontade do Deus de Israel e confiantes no Deus dos Exércitos. Foi isto que fez de Elias um vencedor. Foi exatamente isto que fez dele o maior profeta de Israel, sendo, no entanto, um homem sujeito às mesmas paixões.

Alguém já achou que você está perturbando com seu modo de ser e de viver a sua fé? É possível que as pessoas tenham notado que você é crente, mas será que sentiram isto pelas suas ações?

Pense nisso e coloque a sua vida diante do altar do Senhor para ser usado por este grande Deus, que deseja tão somente ajudar e purificar a sua igreja.