📖 As experiências de um homem chamado Elias

Onde está o Deus de Elias?

O mesmo Deus para a nossa geração

Chegando próximo ao fim da história de Elias, deve-se ter sempre em mente que ele foi um homem como qualquer um de nós. O objetivo destas lições foi fazer com que cada indivíduo possa se fortalecer. Não é fácil ser como Elias. Todavia, importa saber que ele era como somos. Logo, o mesmo Deus de Elias precisa ser o nosso também.

Verdade central: Elias foi um homem semelhante a nós, mas teve sua vida à disposição de um Deus que pode mais que toda a humanidade junta.
Texto para reflexão: 2Reis 2:12-25
Texto áureo: Então, pegando da capa de Elias, que dele caíra, feriu as águas e disse: Onde está o Deus de Elias? Quando feriu as águas, estas se dividiram de uma à outra banda, e Eliseu passou (2Reis 2:14).

Leituras para edificação:
Segunda-feiraJó 42:1-6
Terça-feiraJn 2:1-10
Quarta-feiraSl 51:1-19
Quinta-feira1Re 19:15-21
Sexta-feira2Re 2:1-11
Sábado2Re 2:12-25

Introdução

Chegando próximo ao fim da história de Elias, deve-se ter sempre em mente que ele foi um homem como qualquer um de nós. O objetivo destas lições foi fazer com que cada indivíduo possa se fortalecer. Não é fácil ser como Elias. Todavia, importa saber que ele era como somos. Logo, o mesmo Deus de Elias precisa ser o nosso também.

O estudo de hoje é uma adaptação de um sermão de quase cem anos que recebeu o mesmo título. Foi proferido por aquele que ficou conhecido como “o príncipe dos pregadores” — Charles Spurgeon.

Temos uma grande tendência de ficarmos presos às coisas do passado. Olhando para trás, ficamos extasiados com tudo que vimos Deus fazer através de servos seus. Mas, na realidade, deveríamos desejar que Deus agisse conosco da mesma forma que agiu com aqueles servos.

Eliseu fez uma pergunta a Elias. Spurgeon afirmou que esta pergunta foi transformada em oração. Esta oração caracteriza a necessidade do Deus de Elias. Isto ocorre por alguns motivos que começaremos a ver agora.

Deus pode nos manter fiéis

O Deus que o manteve fiel deve fazer-nos permanecer firmes caso fiquemos sozinhos na verdade (1Co 1:8).— Charles H. Spurgeon

Ficamos preocupados com a nossa firmeza espiritual. Eliseu começou bem seu relacionamento com Deus. Ao pedir uma porção dobrada do espírito de Elias, ele estava dizendo, com outras palavras, que gostaria de ser auxiliado da mesma forma. Claro que o contexto pode nos forçar a pensar que ele queria isto para fazer os mesmos milagres que Elias fazia. Todavia, o fato de Elias achar isto bom comprova-nos que Eliseu não estava simplesmente querendo ser sensacionalista, mas havia um interesse sincero por parte do jovem de ser como seu mestre.

A igreja hoje tem como mestre Jesus Cristo, que nos deixou não apenas demonstrações sobrenaturais de poder, mas um exemplo de vida de santidade e de pleno desejo de agradar a Deus.

Buscando receber uma porção dobrada daqueles que têm sido baluartes da fé cristã, conseguiremos transformar o mundo, pois Deus será capaz de nos sustentar.

Paulo, escrevendo aos coríntios, diz: “Não que sejamos capazes, por nós mesmos, de pensar alguma coisa, como se partisse de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus” (2Co 3:5).

Este texto comprova-nos que sem Deus não somos absolutamente nada. E Elias sabia muito bem disto. E, se ele foi capacitado a fazer tantas coisas, é porque tudo provinha de Deus (inclusive sua fidelidade). O que Elias fazia era confiar.

Deus pode nos ajudar a ressuscitar almas

Em 1Re 17:22 vemos Elias ressuscitando — ou melhor, sendo instrumento na ressurreição do filho da viúva de Sarepta. Foi Deus que lhe deu toda a capacidade de fazer aquilo. E hoje, este mesmo Deus quer nos usar para ressuscitar almas mortas pelo pecado, condenadas à eternidade e longe de Deus. Sobre isto Spurgeon disse:

O Deus que ressuscitou o morto por meio dele deve levar-nos a erguer os homens de sua morte do pecado.— Charles H. Spurgeon

A igreja de Cristo hoje precisa de homens que trabalhem para levantar vidas. Que trabalhem para dar vidas. Que trabalhem para restaurar vidas. Porém, antes disto, estes homens precisam se colocar diante da face de Deus, como Elias.

Deus prepara-nos para a vida e a perseverança

O Deus que lhe deu alimento para uma longa jornada deve preparar-nos para a peregrinação da vida, e preservar-nos até o fim (1Re 19:8).— Charles H. Spurgeon

Elias, ao se alimentar, caminhou quarenta dias. Não podemos saber o que se passava em sua cabeça, mas podemos imaginar o que rondava o seu estômago. Afinal, era um homem semelhante a qualquer um de nós.

Jesus disse que estaria conosco até o fim. João, em Apocalipse, afirma que aquele que perseverar até o fim será salvo. Muitos assimilam nesta ideia a perda da salvação. Mas o que podemos dizer é que, na realidade, os que perseveram não o fazem para serem salvos, mas porque são salvos. E esta realidade pode ser muito bem comprovada pela presença de Deus em nós mediante o seu Espírito Santo.

O Deus que dividiu o Jordão para o profeta não nos falhará quando estivermos cruzando para a nossa Canaã (2Re 2:8).— Charles H. Spurgeon

Deus é muito fiel. E esta fidelidade é suficiente para nos guardar diante de qualquer dificuldade. Que Ele possa estar sempre lhe guardando e capacitando. Mas, para que isto ocorra, é necessário que você e eu aprendamos o que é “o doce fruto da dependência de Deus”, como disse Spurgeon.

Ele continua no céu, observando atentamente os que ele reservou. Eles podem estar ocultos nas cavernas, mas o Senhor sabe que são seus.— Charles H. Spurgeon

Por mais que você possa se esconder, Deus lhe conhece e estará com você. Cabe a cada um de nós saber ouvir a voz de Deus (lembra-se desta lição?).

Deus ainda é movido pela nossa oração

Após dizer que Elias era um homem semelhante a nós, Tiago afirma que ele orou com fervor para que não chovesse. Isto nos mostra o quanto somos abençoados por Deus quando colocamos tudo a Ele em oração.

Quanto ainda nos tem faltado para termos uma vida de oração? Na realidade, vejo que nos falta o compromisso de orar e de viver. E vou mais longe ainda: falta-nos a disposição de querermos viver uma vida de santidade plena. Aliás, uma vida de santidade é a que agrada a Deus, e é o que faz com que entendamos a vontade de Deus.

No mesmo livro de Tiago temos um outro texto muito famoso que diz: Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites (Tg 4:3). Hoje vejo pessoas que vivem dizendo que estão recebendo bênçãos de Deus em sua vida material, familiar e física. Porém, estas mesmas pessoas só sabem pedir estas coisas. E dizem que isto é fé. Do ponto de vista bíblico, fé é um sacrifício de testemunho.

Antes de começar a escrever esta lição, estava ouvindo os “testemunhos” de pessoas que dizem ser abençoadas. Não tenho nada contra, porém observei que a grande maioria falava que Deus não pode deixar seus filhos sofrerem, e que eles não admitiam estar naquela situação, pois são filhos de Deus. Depois destes testemunhos, ouvi alguns falando de algum tipo de sacrifício que tinham que fazer, e normalmente financeiro, para o tal grupo desta igreja.

Meus amados, não é este tipo de sacrifício que Deus está a nos pedir. Ele quer que apresentemos a nós mesmos (Rm 12:1-2). E esta apresentação não consiste em bens materiais, porém de uma vida de testemunho e de confiança naquilo que Deus pode fazer através de nós, e não somente em nós. Elias sabia muito bem disto.

Deus quer responder as nossas orações. Porém, antes de depositá-las no altar do Senhor, devemos depositar nossas próprias vidas.

Deus nos tomará para si

Fui convidado a pregar em um culto de ação de graças de uma grande amiga, formada no mesmo ano que eu. Na oportunidade meditei sobre Gênesis 5:22-24. Neste texto vemos Deus agindo na vida de um servo que andou com ele, e o Senhor o tomou para si. Seu nome era Enoque. Elias foi outro caso que vemos na Bíblia de alguém que não viu a morte e Deus o tomou para si.

De Enoque não temos muito a dizer. Mas Elias, algumas vezes, disse: O Deus em cuja presença eu estou. Esta pequena frase nos faz ver o que fará com que Deus nos tome para si.

Hoje temos a bendita esperança de um dia estarmos diante de nosso Deus. Jesus nos prometeu que irá voltar e nos apanhará para estarmos diante de Deus Pai e do trono branco. Esta deve ser a nossa esperança. Talvez alguns de nós, senão todos desta geração, ainda veremos a morte, mas ainda assim um dia seremos tomados por Deus.

Será que hoje temos procurado andar com Deus? Sua vida é uma vida que está na presença de Deus? Necessitamos nos despertar cada vez mais para a nossa santificação. Não vejo outro motivo que fez com que Elias, assim como Enoque, estivesse mais cedo diante da face de Deus (leia Hebreus 12:14).

Aplicação

Elias verdadeiramente foi um homem nas mãos de Deus. Não no sentido apenas de realizar milagres em nome do Deus de Israel, mas principalmente no sentido de buscar a fidelidade ao Senhor dos Exércitos. Esta é a grande diferença entre ele e nós.

Muitas igrejas hoje se afirmam possuidoras de poder para curar, libertar, prosperar etc., mas poucas — até hoje não vi nenhuma — têm uma preocupação de estar nas mãos de Deus em todos os sentidos.

Acredito que a Igreja enfrentará a grande tribulação dos finais dos tempos, mesmo que a maioria não pense assim. Pergunto: a Igreja está preparada para isso? Estamos prontos para o deserto? Somente aqueles alimentados por Deus terão forças para suportar as tribulações na vida do crente.

A pergunta que podemos fazer agora: onde está o Deus de Elias em nossa vida?

Que Deus possa nos abençoar e nos fortalecer a cada dia, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Amém!