📖 As experiências de um homem chamado Elias

Dois servos, duas classes

Obadias e a fidelidade em meio ao poder

A lição desta semana retrata um encontro muito especial. O versículo 1 do capítulo dezoito começa com uma posição oposta à do terceiro versículo do capítulo anterior. Neste, o Senhor disse: “Retire-se”. Naquele, o Senhor declara: “Apresente-se”. Duas palavras completamente opostas. Muitas vezes não compreendemos os planos do Senhor. Talvez Elias também não estivesse entendendo.

Verdade central: Não podemos achar que somente no meio dos pobres achamos crentes de verdade.
Texto para reflexão: 1Reis 18:1-16
Texto áureo: Acabe chamou Obadias, o responsável pelo palácio. Este Obadias era um homem que temia muito o SENHOR. (1Reis 18:3)

Leituras para edificação:
Segunda-feiraDn 1:1-21
Terça-feiraGn 41:37-57
Quarta-feiraGn 14:18-24
Quinta-feiraHb 7:1-10
Sexta-feiraRm 13:1-7
Sábado1Re 18:1-16

Introdução

A lição desta semana retrata um encontro muito especial. O versículo 1 do capítulo dezoito começa com uma posição oposta à do terceiro versículo do capítulo anterior. Neste, o Senhor disse: “Retire-se”. Naquele, o Senhor declara: “Apresente-se”. Duas palavras completamente opostas. Muitas vezes não compreendemos os planos do Senhor. Talvez Elias também não estivesse entendendo.

Após três anos, o Senhor pede a Elias que volte a estar diante de Acabe. Claro que o coração de Elias estava um pouco apreensivo; afinal, ele sabia que Acabe o estava procurando. E o que é pior, por sua causa outros estavam sendo mortos, a ponto de achar que somente ele vivia dos profetas de Deus.

Mas o que nós observamos é como o Senhor age em sua soberania, utilizando-se de um homem que estava muito bem posicionado socialmente falando — Obadias.

Não podemos confundir este Obadias com o profeta, escritor de um dos livros do Velho Testamento. Na Bíblia aparecem pelo menos 12 Obadias.

Seu nome significa “servo de Yahweh”. Daí você pode perguntar: “Pode, no meio do palácio do rei mais iníquo que passou sobre Israel, existir alguém que seja servo do Senhor?” A verdade é que a Bíblia diz que Obadias temia ao Senhor. Assim como José foi governador e braço direito do Faraó; assim como Daniel, que foi principal homem em reinados ímpios. Deus colocou um servo seu no meio de um governo idólatra de Israel para poder conservar a sua presença e o seu nome.

Um servo em meio à corrupção

Quando lemos a primeira vez que aparece o nome deste Obadias que agora estudamos, temos talvez a sensação de que ele era um qualquer. Mas a realidade é bem outra. Um mordomo, naquele contexto, significava alguém que era o braço direito de um rei. Era uma pessoa que assumia, em determinadas situações, a condição de Chefe de Estado. Não podemos imaginar Obadias como sendo um qualquer que estava no palácio real servindo ao rei e lhe sendo submisso sem ter nenhum direito. Ao contrário, um mordomo era alguém que cuidava das decisões dentro do palácio e de tudo que estava ao redor do rei.

Acredito que Elias, a princípio, não acreditou muito na fidelidade de Obadias. Mas a verdade é que ele era um homem que “temia muito ao Senhor”. E isto ninguém pode negar, porque a própria Bíblia o diz.

Muitas vezes ouço pessoas afirmarem que o crente não pode se candidatar para a política. A pergunta que faço é: por que não? Quase sempre a resposta é a mesma: “Não conheço nenhum servo de Deus que não seja corrompido pela política e pelo poder.” Há certo fundo de verdade em tudo isto. Mas, em contrapartida, precisamos de homens de Deus auxiliando a governar o mundo, até mesmo para cumprir os interesses de Deus.

Vemos que Elias se achava só. Mas ele não era o único profeta que estava vivo e escondido. Claro que ele era o instrumento principal que Deus queria usar. Mas o Senhor usa outros que passam a ter um grau de importância muito grande dentro do contexto. Obadias é um exemplo disto.

Na realidade precisamos de homens de Deus que se enveredem pelo meio político. Mas precisamos de homens que nunca se esqueçam do temor do Senhor em seu coração. E este foi o caso de Obadias.

A humildade de Obadias

Neste encontro entre duas classes encontramos grande exemplo de Obadias. Ele não tinha necessidade alguma, sendo autorizado direto do rei, de fazer o que fez. Mas o seu cumprimento a Elias mostra toda sua humildade: “É você mesmo? É o meu senhor Elias?” Quando ele usa o termo senhor, não está de forma alguma tendo um tratamento especial ou delicado para com Elias, mas mostra um tratamento de respeito pela posição de Elias diante de Deus.

Sendo ele alguém que temia muito ao Senhor, percebeu que Elias era um homem especial, um vaso nas mãos de Deus. Este exemplo deveria servir para nos alertar hoje. Quantas vezes pessoas que têm uma melhor posição social não respeitam em nossas igrejas aqueles que ocupam funções superiores. Muitos pensam assim por causa de seu conhecimento intelectual, outros por causa de sua condição financeira. A igreja deve ser um lugar onde a vontade a ser respeitada é a do Senhor, e não a de homens e de suas posições sociais.

Em muitas igrejas há grupos de famílias tradicionais que gostam de mandar e dar ordens, desrespeitando toda e qualquer autoridade que venha de outros membros da igreja que não sejam seus familiares. Obadias devia servir de exemplo para estas famílias.

Muitos políticos evangélicos nem dão sinal de vida em suas igrejas. Muitos são completamente alheios ao que se passa e ainda gostam de dar ordens aos seus pastores. Também estes precisam ver o exemplo de Obadias. Seu grande exemplo foi a sua humildade e seu caráter santo. Não sabemos como Obadias escondeu aqueles profetas diante dos olhos de Acabe. O que nos importa é que este servo colocou seu emprego, sua vida e sua honra em jogo por amor ao Senhor.

Servos em todas as classes

Pelas palavras de Jesus, é difícil para um rico entrar no reino de Deus. Mas não temos como negar que grande parte dos homens fiéis da Bíblia eram pessoas de condições financeiras bem confortáveis. Na realidade, quando o Mestre assim afirma, ele não está dizendo que não existiriam ricos tementes a Deus, mas que esses homens são muito apegados às coisas materiais — esta é a grande dificuldade. Todavia, há muitos pobres que são apegados à matéria, tanto ou mais do que ricos.

Não é conveniente afirmar que existem mais pobres (relativamente falando) que creem no Senhor do que ricos. A verdade é que todos os homens podem ser alcançados pela graça de Deus. Não podemos ser do tipo que prega somente para os pobres só porque são os mais necessitados. A Bíblia alerta que todos pecaram, não somente pobres e miseráveis materialmente. Aliás, falando de um modo espiritual, todos os homens sem Deus são miseráveis.

A realidade é que Deus chama homens de todas as classes para darem testemunho seu a qualquer preço. Elias estava fazendo a sua parte. Obadias também.

Elias era um profeta que agira de fora para dentro do palácio, ao contrário de Natã, que falava a Davi dentro do palácio. Talvez porque Deus agora percebera a dificuldade que seus servos estavam tendo após serem ditas as verdades para Acabe. Sem falar que muitos destes profetas dentro do palácio se corrompiam. Obadias mantinha-se firme diante de Deus. Sobre ele, A. W. Pink afirmou:

Não há nada de errado em um filho de Deus ter um cargo de influência, se puder fazer isso sem sacrificar os princípios. E pode capacitá-lo para prestar serviço valioso para a causa do Senhor. [...] Como mordomo da casa de Acabe, Obadias encontrava-se numa posição muito difícil e perigosa; todavia, em lugar de ajoelhar-se diante de Baal, foi instrumento para salvar a vida de inúmeros servos de Deus. Embora rodeado por tantas tentações, preservou a integridade.— A. W. Pink

Aplicação

Aprendizado político

Talvez Elias tivesse uma série de dúvidas sobre a santidade de Obadias. Mas não se preocupou com isto.

Obadias mostra-se um pouco apreensivo, o que é normal para alguém que viveu durante anos sob pressão, com a possibilidade de ser apanhado alimentando ou guardando os cem profetas de Yahweh.

Elias mostrou algo que veremos na próxima lição. Por enquanto, ficamos com o encontro sublime entre estes dois servos: opostos em termos sociais, desnivelados em termos materiais, distantes em questões de requinte, mas extremamente ligados pela presença de Deus em suas vidas.

Talvez seja o momento de refletirmos sobre as questões políticas de uma forma santa. Ou seja, procurarmos candidatos, caso os encontremos, que se preocupem com uma vida que guarde as coisas de Deus.

Também precisamos pensar em orar ao Senhor para levantar homens como Obadias, José e Daniel, para que possamos vê-los guardando as coisas de Deus. Ainda precisamos suplicar ao Senhor para que estes homens possam estar se preocupando com sua santidade pessoal.

Necessitamos ter uma postura de crer que Deus pode levantar homens como Obadias. Para tanto, devemos orar por aqueles que carregam o nome do Evangelho nos tribunais, nos parlamentos e em outros lugares onde o poder humano possa ser manifesto.

Aprendizado social

Outra coisa que aprendemos nesta lição resume-se no fato de que classe social não torna ninguém melhor que outrem. Diante de Deus somos todos iguais. Não podemos menosprezar uns aos outros por causa de posição social.

Aos pobres podemos dizer que Deus os vê de um modo especial, mas não superior. Pois nosso Senhor deseja acabar com seu sofrimento físico-material, como também com sua dor espiritual. Mas estes não podem achar que Deus não pode agir em camadas mais elevadas da sociedade, pois o Senhor é o mesmo de todos.

Aos mais favorecidos afirmamos que Deus os vê com o mesmo amor que aos outros. Afinal, a pobreza espiritual do homem é igual em qualquer nível social. Ao mesmo tempo, devem aprender que na igreja quem determina ministérios e funções é o nosso Deus. Muitas vezes o Senhor pode designar alguém em condições sociais inferiores para obras funcionalmente maiores; cabe a cada um respeitar ao outro pela unção do Espírito Santo.