| Segunda-feira | Dn 3:1-18 |
| Terça-feira | Gn 22:1-24 |
| Quarta-feira | Sl 63:1-11 |
| Quinta-feira | Mt 6:5-18 |
| Sexta-feira | Hb 11:1-6 |
| Sábado | 1Re 17:1-7 |
Introdução
Nesta lição abordaremos o segredo da vitória de Elias — o que, com certeza, fez dele o profeta mais respeitado de Israel, sem sequer ter escrito uma linha do que Deus a ele pedira. Claro que não se pode esquecer que Elias era um homem semelhante a qualquer outro. Esta lembrança sempre fará saber que, estando um dia diante de situações semelhantes, pode-se recorrer ao mesmo Deus de Elias, e ele com certeza estará pronto para ajudar.
Vale notar que, quando Elias surge em cena, no capítulo 17 de 1Reis, aparece como que do nada. Não fala de quem ele é filho, sua genealogia ou parentesco. Praticamente todos os profetas do Velho Testamento deixam pistas sobre alguma coisa: genealogia, profissão ou algo que ajuda. Elias não mostra absolutamente nada. Até sua cidade natal é objeto de discussão entre os teólogos. A grande maioria acredita que ele veio de um lugar chamado Tesbi, em Gileade. Todavia, ninguém mostra com precisão, em algum mapa, onde fica esta cidade. Sabe-se que existia uma Tesbi em Naftali; desta forma, é bem provável que tenha nascido em Tesbi de Naftali e mudado para Gileade mais tarde.
Apesar do mistério que cerca a pessoa de Elias, uma coisa marca esta vida: estava sempre na presença de Deus. Elias não falava isto com convencimento, assim como muitos hoje se acham os maiores profetas ou missionários, mas não mostram nada de extraordinário, a não ser seu grande charlatanismo — nosso profeta se colocava na presença de Deus de tal forma que ele podia dizer deste modo. Vejamos agora o que prova que Elias era um homem na presença de Deus.
Sua pronta obediência
Ao se ler o texto do capítulo 17 de 1Reis, notam-se grandes dificuldades de ver Elias como tendo semelhança com outro homem qualquer. Vamos observar a cena do capítulo em questão: Elias declara a seca de Israel para o rei. É possível, e o contexto da história de Elias nos mostra isto, que o rei tenha ficado um pouco irritado com a profecia de Elias. O Senhor pede a Elias que se retire para junto de um ribeiro chamado Querite.
Com toda certeza, Elias conhecia bem a região de Israel; também já ouvira falar e sabia da existência dos wadis, ribeiros que em época de estiagem secavam por completo (pelo texto, parece que Querite era um destes). Mas é interessante como o autor não declara nenhuma reclamação de Elias ao ser enviado para aquela região.
Se ele era um homem como outro, muitas dúvidas e indagações podem ter passado pela cabeça de Elias. Vale aqui lembrar a história de Abraão. Este patriarca recebeu um desafio de Deus: entregar seu próprio filho. Claro que, no caso de Abraão, se vê em Hebreus que ele confiava na ressurreição de Isaque. Mas será que isto tirou a apreensão do coração daquele pai? Será que havia plena alegria no coração do patriarca ao saber que caminhava para matar seu único filho? Através das fraquezas que se detectam em Abraão, pode-se dizer que ele também era um homem como qualquer outro, e que também ele teve que passar por esta provação com certa aflição no coração.
Mas, e Elias? No que ele confiava? Nada se encontra em outro lugar da Bíblia que mostre que Elias murmurava; porém, contempla-se um homem que, sem falar, obedeceu.
Sua total confiança
Dentro desta ilustre frase — Vive o Senhor, em cuja presença estou — vemos também a declaração de um homem que confiava. Claro que não se sabe como, mas sabe-se em quem. Talvez no coração deste herói tenha se passado o que passou pelos lábios dos amigos de Daniel (Dn 3:16-18). Sadraque, Mesaque e Abdenego mostraram não uma confiança nas coisas terrestres, mas em algo superior, que ia além da compreensão de Nabucodonosor.
Paulo, escrevendo aos coríntios, afirma que a confiança em Deus, somente para esta vida, torna-nos os mais miseráveis de todos os homens (1Co 15:19). Elias podia não conhecer os escritos de Paulo, mas conhecia muito bem o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.
William J. Petersen, em seu livro Elias — um homem nas mãos de Deus, afirma que a fé de Elias era baseada em três certezas:
- Cria em um Deus vivo;
- Sabia que Deus era o Rei;
- Sabia que a palavra de Deus é verdadeira.
Se Acabe acreditasse em um Deus vivo, não teria permitido que sua mulher fizesse o que fez. Nem tampouco aceitaria que impusesse uma religião pagã no meio de seu reino. Ele não conhecia o Deus de Israel, o Deus vivo. Muitas vezes, com nosso comportamento, estamos mais para Acabe do que para Elias. Não mostramos que temos um Deus vivo.
Elias fez questão de mostrar a Acabe que ele estava na presença de Yahweh, e não do rei de Israel. Ao declarar isto, nosso profeta está mostrando que Deus é o seu rei.
Na Roma antiga, havia um decreto que obrigava os cidadãos a se cumprimentarem dizendo: “César é o Senhor!”, e o outro respondia: “Sim, César é o Senhor”. É bem provável que os cristãos respondiam: “Não, Jesus é o Senhor!”. Eles procuravam demonstrar claramente quem era o seu rei. Será que hoje estamos fazendo questão de demonstrar quem é nosso rei?
Elias não era um super santo; simplesmente tinha algo que Deus podia usar. Esse algo era a fé na Palavra de Deus.— William J. Petersen
O coração de Deus fica muito triste quando certos jovens buscam seus namorados e namoradas no mundo, sendo que Deus em sua palavra não aprova tal situação (2Co 6:14). Mas a tristeza é maior ainda, pois isto demonstra total falta de confiança no Deus em que afirma crer, além de mostrar claramente que o Senhor não ocupa o primeiro lugar em sua vida.
A confiança em Deus deve ser expressa mesmo diante de momentos que pareçam adversos. Foi exatamente isto que Elias fez.
Seu zelo para com Deus e sua Palavra
Mas, além da obediência e da confiança que Elias mostrava, havia em seu coração um profundo zelo pelo Deus em que ele afirmava crer. O profeta não tinha um zelo pela religião judaica, mas pelo Deus judaico. Ele falou em nome deste Deus a Acabe. Também falou em nome deste Deus diante dos profetas de Baal. Tal ocorrido demonstra todo cuidado especial que Elias tinha para com seu Deus.
Quantas vezes procuramos zelar pelo que cremos em nossas igrejas ou denominações, e não por aquilo que Deus é para nós — obedecendo a preceitos puramente humanos, ou tradições meramente humanas, e ainda afirmamos que estamos obedecendo a Deus. O que mais comprova o zelo que tinha Elias pelo seu Deus e pela Palavra deste está em afirmar que ele estava sempre na presença de Deus. Quando buscamos com frequência a presença de Deus, estamos comprovando o zelo que temos por Ele e pela sua Palavra.
Muitas igrejas fazem campanhas de oração. Achar que buscar a Deus diante de muitas pessoas vai demonstrar que se tem um zelo por Deus pode ser um grande engano. Claro que Deus valoriza o trabalho coletivo; todavia, o que ele mais espera de nós é uma vida particular que busque Sua presença.
Quando Jesus estava falando sobre oração, iniciou mostrando que o grande valor da oração começa com sua individualidade (Mt 6:6). Talvez nossos líderes necessitem um pouco de ler esta passagem, não apenas na parte que é chamada de Pai Nosso, mas em todo seu contexto, que mostra como deve ser nossa oração. Fazem-se grandes campanhas, mas pouco se trabalha para que cada membro, individualmente, possa se fortalecer.
A verdade é que, se os crentes forem individualmente fortes, haverá igrejas coletivamente fortes. Qualquer tipo de trabalho que façamos coletivamente não tem valor se não levar o crente a um compromisso que começa em sua individualidade. A afirmação de Elias é que ele estava diante de Deus. E você tem estado diante do Senhor como prova de seu zelo para com Ele? A Palavra tem sido alvo de meditação e estudo em sua vida?
Quando se fala de individualidade, não se pode confundir com egoísmo humano. A individualidade retrata somente o relacionamento íntimo que todos precisam ter com Deus e que muitas vezes é insuficiente.
Aplicação
Esta lição abre a nossa mente para compreendermos o sentido de estar diante de Deus. Elias tinha uma preocupação profunda em permanecer diante do Senhor. Precisamos aprender com esta intimidade de Elias com seu Deus e passá-la para o nosso dia a dia.
Creio firmemente que o que está faltando é uma preocupação em buscar esta intimidade com Deus. Esta comunhão com o Criador é alcançada com uma vida de leitura da Palavra e de oração. Não só oração, como dizem os mais sentimentais ou ignorantes, nem somente a leitura, como afirmam os teólogos mais intelectuais. Todavia, é o conjunto das duas coisas que nos fazem estar de verdade íntimos de nosso Deus.
