📖 A treliça e a videira — Trabalhando valores na igreja

A treliça e a videira — Todo cristão é um trabalhador de videira

A carta de Paulo aos Efésios apresenta um dos textos mais completos sobre o funcionamento do corpo de Cristo: os dons de liderança existem para preparar os santos para a obra do ministério, de modo que o corpo inteiro cresça e se edifique em amor (Ef 4.11-16). O pressuposto é claro — o ministério não pertence a uma classe especial de cristãos. Pertence a todos. Do mesmo modo, em Colossenses 3.16, Paulo exorta toda a...

Texto base: Marcos 8.34-35; Efésios 4.11-16; Colossenses 3.16

"Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho a salvará." (Marcos 8.34-35 – NAA)

"Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; instruam-se e aconselhem-se mutuamente com toda a sabedoria, cantando salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão no coração a Deus." (Colossenses 3.16 – NAA)

Todas as citações bíblicas são da versão Nova Almeida Atualizada – NAA.

Introdução

A carta de Paulo aos Efésios apresenta um dos textos mais completos sobre o funcionamento do corpo de Cristo: os dons de liderança existem para preparar os santos para a obra do ministério, de modo que o corpo inteiro cresça e se edifique em amor (Ef 4.11-16). O pressuposto é claro — o ministério não pertence a uma classe especial de cristãos. Pertence a todos. Do mesmo modo, em Colossenses 3.16, Paulo exorta toda a congregação a se instruir e aconselhar mutuamente por meio da palavra. Não há dois tipos de discípulos no Novo Testamento: os que servem e os que assistem. A chamada de Jesus em Marcos 8.34 — "se alguém quer vir após mim" — é dirigida a qualquer pessoa disposta a segui-lo. O custo é o mesmo para todos: negar a si mesmo, tomar a cruz, perder a vida para ganhá-la. Esta aula responde à pergunta fundamental: quem faz a obra de videira?

1. Não existem duas classes de discípulos (Marcos 8.34-35; Mateus 10.32-33; Lucas 9.60)

Jesus não reservou o chamado ao discipulado para pastores e missionários. Em Marcos 8.34, o convite é aberto: "se alguém quer vir após mim". Em Mateus 10.32, a exigência de confessar o nome de Jesus diante dos homens é dirigida a todos os seus seguidores. Em Lucas 9.60, ao responder a alguém que deseja segui-lo, Jesus não suaviza o custo: "Deixe os mortos sepultarem os seus mortos; tu, porém, vai e prega o reino de Deus". O trabalho de videira não é exclusivo de quem foi ordenado — é a agenda de todos os que pertencem a Cristo. A obra de treliça é mais fácil justamente porque a obra de videira exige o que Jesus pede: perder a própria vida.

i) Examine se a sua vida cristã é de assistente ou de participante

Os autores de A Treliça e a Videira fazem uma pergunta provocadora: alguém que nos observa de fora conseguiria dizer que renunciamos à nossa vida para seguir Cristo? Ou pareceríamos simplesmente consumidores de serviços religiosos? O discipulado radical de Jesus não admite passividade — exige entrega, intencionalidade e custo real.

Marcos 8.34-35; Lucas 9.60; Mateus 16.24-26; Filipenses 3.7-10

ii) A confissão pública de Cristo faz parte da obra de videira

Confessar o nome de Jesus diante dos homens (Mt 10.32) não é tarefa reservada para pregações formais. Acontece na conversa com o colega de trabalho, no jantar com a família, na mesa com amigos descrentes. Os primeiros cristãos entendiam que eram missionários por natureza — a evangelização era inevitável, não programada. Que tipo de testemunho você tem deixado nos ambientes cotidianos onde Deus o colocou?

Mateus 10.32-33; 1 Pedro 3.15-16; 1 Tessalonicenses 1.6-10; Colossenses 4.5-6

2. O papel dos pastores é preparar os santos para que todos façam a obra (Efésios 4.11-16; Atos 6.4)

Efésios 4.11-12 é decisivo: Cristo deu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres "com o fim de preparar os santos para a obra do ministério". O ministério não é do pastor; é dos santos — da congregação inteira. O pastor existe para equipar, não para substituir. Quando a congregação delega ao pastor toda a obra de videira, e ele a aceita, ambos erram: ele por concentrar o que deveria multiplicar; ela por terceirizar o que lhe foi confiado. O resultado descrito em Efésios 4.16 — o corpo inteiro se edificando em amor, cada parte realizando sua função — só é possível quando todos participam.

i) Entenda que o ministério da sua igreja é seu, não apenas do pastor

A obra de edificação do corpo de Cristo pertence a todos os membros. O pastor equipa; os membros realizam. Quanto menos o pastor precisar aparecer em tudo e quanto mais a congregação exercitar seus dons, maior a evidência de que o equilíbrio bíblico foi alcançado. Pergunte-se: que dom ou capacidade Deus me deu que ainda não estou colocando a serviço do corpo?

Efésios 4.11-16; 1 Coríntios 12.7; Romanos 12.4-8; 1 Pedro 4.10-11

ii) A oração de intrepidez é o modelo apostólico para todos

Em Atos 4.29, os primeiros crentes não pediram a Deus que removesse as dificuldades. Pediram intrepidez para anunciar a palavra em meio a elas — e essa oração era de toda a comunidade, não apenas dos apóstolos. Antes de ir ao encontro de alguém, de abrir a Bíblia com um amigo, de compartilhar seu testemunho: ore pedindo a mesma coragem que esses primeiros discípulos pediram.

Atos 4.29-31; Efésios 6.19-20; Colossenses 4.2-4; 2 Timóteo 1.7

3. A Palavra é o instrumento de todos — no lar, no grupo e na comunidade (Colossenses 3.16; Hebreus 3.12-13; 10.24-25; Romanos 15.14)

Paulo, em Colossenses 3.16, instrui toda a congregação a se instruir e aconselhar mutuamente com toda a sabedoria por meio da palavra de Cristo. Hebreus 3.12-13 chama todos os irmãos a se exortarem mutuamente "enquanto dura o hoje", para que nenhum seja endurecido pelo engano do pecado. Romanos 15.14 afirma que os próprios romanos estão "aptos para se admoestar uns aos outros". O Novo Testamento presume que todos os crentes são portadores e comunicadores da palavra — no lar, no pequeno grupo e na comunidade ao redor. Esse tripé sustenta a vida cristã saudável.

i) No lar: a palavra que instrui e cria raízes

Efésios 6.4 instrui os pais a criarem os filhos segundo a instrução e o conselho do Senhor. A palavra que o pastor prega no culto deve ser desembrulhada em casa — explicada, aplicada, vivida em família. Ler a Bíblia em família, orar juntos, retomar o sermão do domingo, conversar sobre a fé com os filhos — tudo isso é obra de videira realizada dentro de casa.

Efésios 6.4; Deuteronômio 6.6-9; Provérbios 22.6; Salmos 78.4-7

ii) No pequeno grupo: a palavra que exorta e sustenta

Hebreus 10.24-25 exorta a não abandonar o hábito de se reunir, mas a estimular uns aos outros ao amor e às boas obras. O pequeno grupo não é um programa adicional — é o espaço onde a exortação mútua acontece de forma pessoal e consistente. Compartilhar o que Deus falou ao coração, orar uns pelos outros, aplicar juntos o texto pregado: isso é a obra de videira em sua expressão mais natural e poderosa.

Hebreus 3.12-13; Hebreus 10.24-25; Colossenses 3.16; Tiago 5.16

iii) Na comunidade: a palavra que alcança os que ainda não creem

Os tessalonicenses receberam a palavra com alegria e, a partir deles, a mensagem se propagou pela Macedônia e pela Acaia (1 Ts 1.6-10). Não foi por programas — foi por vidas transformadas que naturalmente testemunhavam. Convidar um amigo para um jantar, enviar um versículo por mensagem, compartilhar um sermão, presentear com um livro — tudo isso é obra de videira na comunidade ao redor.

1 Tessalonicenses 1.6-10; Colossenses 4.5-6; Mateus 5.13-16; Atos 8.4

Conclusão

Todo cristão é um trabalhador de videira. Não porque precisa ter cargo ou talento especial, mas porque recebeu a palavra viva de Deus e foi chamado a reparti-la — em casa, no pequeno grupo, na congregação e na comunidade ao redor. O Novo Testamento não conhece discípulos passivos: conhece pessoas que receberam a vida de Cristo e, por isso, inevitavelmente a derramam em outras vidas.

Martinho Lutero afirmou que o ministério da palavra pertence a todos os cristãos. O corpo de Cristo se edifica quando cada parte realiza a sua função — não apenas o pastor no púlpito, mas o pai na mesa com os filhos, o amigo enviando uma mensagem de encorajamento, o membro do pequeno grupo ouvindo e exortando com a palavra.

Que o Espírito Santo nos conceda intrepidez — como pediu a igreja primitiva em Atos 4 — para falar a palavra de Deus em todos os contextos onde Ele nos colocou, perdendo a nossa vida para encontrá-la plenamente em Cristo.

Perguntas para reflexão

1. Jesus diz em Marcos 8.34-35 que quem quiser salvar sua vida a perderá. Olhando para sua rotina semanal, sua vida cristã tem o perfil de alguém que está entregando ou guardando a própria vida? O que isso revela?

2. Colossenses 3.16 instrui os crentes a se instruírem e aconselharem mutuamente. Você tem feito isso na prática? Quando foi a última vez que você compartilhou a palavra de Deus com alguém — formal ou informalmente?

3. Os primeiros cristãos em Tessalônica não foram exortados a evangelizar — eles simplesmente faziam isso por natureza (1 Ts 1.6-10). O que essa naturalidade revela sobre o nível de transformação que o evangelho havia operado neles? Que transformação o evangelho tem operado em você?

4. Hebreus 3.12-13 diz que o pecado nos endurece e nos engana, e que a proteção contra isso é a exortação mútua dos irmãos. Você tem alguém que exerce esse papel em sua vida? Você exerce esse papel na vida de alguém?

5. O tripé proposto pelos autores — eu e mais um / pequeno grupo / congregação maior — funciona como estrutura para a vida cristã intencional. Qual dessas três dimensões está mais ausente na sua vida hoje? O que você pode fazer concretamente para mudá-la?

6. Como grupo, o que precisamos fazer para deixar de ser um grupo fechado em si mesmo e começar a alcançar deliberadamente pelo menos uma pessoa nova — convidando-a, orando por ela e acompanhando-a?